• Judô brasileiro dependerá dos "mesmos de sempre" em Tóquio 2020
  • Iniciado por Afonso
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    • Outubro 26, 2019, 23:09:36
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O resultado foi melhor que o desempenho. Assim pode ser resumida a participação brasileira no Campeonato Mundial de judô, encerrado no domingo, no Japão. A seleção terminou com três medalhas, todas de bronze, o quinto país que mais vezes foi ao pódio. Chegou entre os oito primeiros colocados em sete oportunidades, o terceiro neste quesito. E venceu, nas categorias individuais, 29 lutas, o quarto do ranking.

Ou seja, nos números, o resultado do Brasil foi bem satisfatório, fazendo com o que o país brigue para ser terceira, quarta ou, no máximo, quinta força do mundo da modalidade. Algo parecido com que vem acontecendo desde 2014. O judô feminino, com quatro atletas entre as cinco primeiras de suas categorias, fez o seu papel, se mantendo como terceira potência, atrás só de Japão e França.

Nas últimas seis Olimpíadas, o judô tem contribuído com pelo menos duas medalhas. Nas três últimas edições, esse número aumentou para pelo menos três. Com a inclusão da disputa por equipes, tudo leva a crer que a seleção vai conseguir repetir esses três pódios. O problema é que os atletas que brigam diretamente para o pódio são os mesmos há pelo menos sete anos:

- Mayra Aguiar - duas medalhas olímpicas e seis em Mundiais (Bronze em 2018)
- Rafaela Silva- uma medalha olímpica e três em Mundiais (bronze em 2018)
- Rafael Silva - duas medalhas olímpicas e três em Mundiais (quinto em 2018)
- Maria Suelen - quinta na Olimpíada de Londres e duas pratas em Mundiais (quinta em 2018).

As exceções vêm exatamente em categorias nas quais o Brasil já se destaca David Moura, vice-campeão em 2017 e sétimo neste ano, e Beatriz Souza, quinta no Mundial deste ano. Ou seja, o Brasil terá ou Rafael ou David na Olimpíada, assim como ou Maria Suelen ou Beatriz. As chances ficam restritas ao mesmo peso.

Na teoria (bem na teoria, porque o judô é um esporte que abre espaço para surpresas), o Brasil chegará aos Jogos de Tóquio com chances reais de medalha apenas em quatro categorias, além da prova por equipes. Como exemplo, para a Rio 2016, eram pelo menos nove chances reais, o mesmo número de Londres 2012.

Judô masculino

O judô masculino preocupa, e muito. Pelo segundo Mundial seguido, a seleção fica fora do pódio. Mas, desta vez, não teve a desculpa de chaves muito complicadas ou de atletas com pouca experiencia, como aconteceu em 2018. Os atletas tiveram chances, lutaram contra atletas que eram "vencíveis", já tinham uma certa bagagem de dois anos competindo no Circuito, e ainda assim tiveram apenas dois judocas entre os oito melhores.

Os pesos pesados podem ser tirados desta "cobrança". Rafael Silva ficou em quinto, muito perto de ir ao pódio, mesmo voltando de lesão. David Moura, que não vive uma fase tão boa, venceu uma luta bem complicada nas oitavas de final, mas perdeu por bobeira nas quartas e também na repescagem. Seja lá qual for o representante brasileiro em Tóquio, neste momento Rafael tem vantagem, o país chegará como forte candidato ao pódio.

Agora, nas outras categorias, já é o terceiro Mundial seguido que ninguém vai ao pódio. Pior. Se pegarmos desde 2013, apenas Victor Penalber (em 2015) conseguiu uma medalha para o masculino se esquecermos os pesados. São seis Mundiais e uma Olimpíada dependendo apenas dos pesos pesados. É muita coisa.

Se pegarmos categoria por categoria, a gente vê que há chances de melhora: no ligeiro, Felipe Kitadai vem em uma boa recuperação nesta temporada, e Eric Takabatake consegue sempre vitórias nas principais competições. No meio-leve, Daniel Cargnin foi quinto no Mundial do ano passado, tem títulos nas categorias de base, e tem tudo para chegar em Tóquio como cabeça de chave. Eduardo Yudi mostrou, na competição por equipes, que tem muito valor. Rafael Macedo já foi campeão mundial juvenil, mas ainda não desempenhou um grande resultado no adulto. Rafael Buzacarini fez um Mundial razoável, com duas vitórias importantes, parando só para o vice-campeão olímpico. Leonardo Gonçalves precisa de um pouco mais de "casca", mais experiência, mas tem talento.

Há uma esperança para o judô masculino até Tóquio. Dá para melhorar nas próximas competições e chegar como cabeça de chave em pelo menos três destas categorias. O objetivo é chegar na Olimpíada com algumas chances de pódio. Aí, sempre vão ter derrotas e vitórias, são detalhes do esporte.

https://globoesporte.globo.com/judo/noticia/opiniao-judo-brasileiro-dependera-dos-mesmos-de-sempre-para-manter-status-de-carro-chefe-em-toquio.ghtml


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